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Aproxima-se rapidamente o Carnaval.
Brevemente, por todo Portugal veremos a exuberância a sair as ruas de uma forma perversa e promovida por mentecaptos incapazes que não tem mais nada que fazer do que importar lamentáveis cenas Brasileiras para Portugal.
Não tenho nada contra o Carnaval do Rio. Este faz sentido no seu devido local.
No entanto, em terras com uma cultura milenar onde vive um povo que se diz cheio de tradições, ver cidades a competir entre elas com desfiles absolutamente horrendos coroados pela exibição de uma mulher meia nua do pseudo JET7 Português queima me os olhos de dor.
Não há espectáculo mais triste do que ver Portuguesas brancas como a cal a tiritar de frio em pleno inverno europeu. E porquê? Porquê?
Para responder a esta pergunta temos de saber o que é o Carnaval?
O Carnaval tem origem milenares que nada tem a ver com a religião católica.
O facto e que há cerca de 6 mil anos, as civilizações sumerias e egípcias celebravam ja a fertilidade e as colheitas do Nilo numa clara alusão ha regeneração cíclica da vida.
Na Grecia e Roma antiga, as festividades eram dirigidas a Dinonisio (Grecia)e Baco(Roma) deuses nao so do vinho e da cultura, como tambem da TRANSFORMACAO. Ai, as sacerdotisas semeavam a confusao nas ruas atraves de contagiantes provocacoes. Mais tarde as Saturnalias visavam realcar a igualdade dos homens. Dai, e devido a influencia das culturas romanas na europa, notamos ja algumas raizes para a confusao reinante das celebracoes actuais.
No entanto, a palavra Carnaval esta envolta em polemica. Duas teorias principais dizem que esta pode ter surgido devido aos "Carros Navais" que abriam os cortejos seculo VII e VI A.C ou, entao, muito mais tarde, atraves das sucessivas alteracoes da citacao latina "dominica ad carne levandas". Esta significa o retiro da carne, a proibicao de ingerir carne durante a quaresma.
Note-se, no entanto, que a celebracao da quaresma e a associacao que as pessoas fazem dela ao carnaval e totalmente infundamentada. Como expliquei acima, o Carnaval (como lhe chamamos) e uma pratica de celebracao do renascimento primaveril muito anterior as bases da religiao crista. Porem, devido a uma decisao do papa Gregorio I (ai esta, pelos mais diversos motivos imaginaveis, um bom nome para qualquer papa), o Grande, em 590 d.C., a quaresma foi transferida para para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Pascoa.
E claro que o festejo de 2 celebracoes simultaneas acabou por se fundir e baralhar ainda mais os motivos pelos quais estas mesmas existem. Logo, como consequencia obvia, deparamos-nos hoje em dia como uma festa de cariz religioso festejado de maneira paga no que, para mim, representa a mais insuportavel das ironias.
Todos concordam que a religiao dominante em Portugal (Judaico-Crista), fundamentada na abstinencia, na culpa, no pecado, no castigo, na penitencia e na redencao, deveria negar exaustivamente os excessos das celebracoes carnaveris. O motivo pelo qual estas foram mais ou menos toleradas deve se ao facto de, no sec. XV, o Papa Paulo II ter introduzido uma mudanca estetica das celebracoes, ao inovar o baile de mascaras e ao permiti-lo em frente ao seu palacio, na Via Lata.
Como a Igreja proibira as manifestacoes de caracter sexual no festejo (representantes do Carnaval original, retratando explicitamente a transformacao e renascimento da natureza) as novas manifestacoes adquiriram a forma de corridas, desfiles, fantasias, bailes e diversoes em geral. Estava assim, reduzido o Carnaval a celebracao mais ordeira, com um caracter mais artistico, com bailes e desfiles alegoricos.
Resumindo, a religiao catolica desvirtuou completamente uma (como tantas outras) festividade ancestrais com raizes naturalistas. Com a deslocacao da quaresma para a mesma altura do ano, a igreja resolveu abortar todos os excessos para forcar o respeito da quaresma.
Hoje em dia no entanto é a pura idiotice dos Portugueses que passam auto atestados de ignorância.
Salvam-se as zonas rurais que ainda reflectem antigas tradições pagãs.
Em muitas partes do Minho queima-se ainda o Arturinho. Um boneco feito de palha que é levado como defunto num caixão improvisado enquanto as populações fingem chorar a perda de um ente querido. Penduram depois o boneco a uma corda edeitam-lhe lume até este se desfazer e explodirem as bombas que dentro dele colocaram.
Desta forma marca-se o fim de um ciclo e o renascer de outro. Um reflexo das tradições Celtas dos nossos povos.
Li num jornal que numa outra terra metiam um gato num pote suspenso por cima de uma fogueira. O gato ficava louco com o calor e quando a corda que segurava o pote queimava, este desfaz-se em cacos soltando o gato que foge através da população que tenta acertar-lhe com pauladas.
Esta ultima tradição representa mais um acto pagão. Os povos através desta queriam afugentar o azar que poderia surgir durante o ano.
Podia ficar toda a noite a falar sobre as centenas de tradições que cada freguesia de Portugal tem ou tinha ou vai tendo por enquanto.
Porém, só se falará na televisão do cu da Diana Chaves que andou meia nua a desfilar numa avenida ou num centro histórico. Juro que as pedras milenares coram de vergonha cada vez que tal parada cruza a rua!
Rezo aos deuses antigos que a chuva continue e que um vendaval corra o país fazendo capotar todas estes ultrajes destruindo carroceis, rasgando chapéus de plumas e levando para longe, para o outro lado do oceano de onde pertencem, estes hábitos vazios que nada nos dizem e que tornam as nossas gentes cada vez mais estúpidas e ignorantes.
Lamentável como é que um país que levou o Carnaval para o Novo Mundo está hoje poluido por ele.
Fica a indicação de um Carnaval ainda profundamente Celta que merece realmente a deslocação. Um Carnaval onde as origens estão tão presentes que se sentem quase palpáveis no ar.
O Carnaval do LINDOSO.
Um hino há fertilidade, aos Deuses pagãos a à magia Celta. Todo o Galaico tem de pelo menos uma vez ir ao Carnaval do Lindoso para presenciar o que era antigamente um Carnaval realmente MINHOTO!
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